O que o ‘Babaçu’?.

Se reparou bem, no post anterior mencionava-se que o biocombustível utilizado no tal ‘Vôo Verde’ da Virgin, foi usado óleo de babaçu. Pois é… Como não estou absolutamente certa de que os leitores, sobretudo os que vivem na margem de cá do Atlântico, conheçam o fruto de que se fala, resolvi contar um pouco sobre o babaçu. Sente e escute.

 

O Baguaçu é um fruto, conhecido entre o povo como coco-de-macaco, que se encontra com abundância em toda a Amazónia Legal, além dos Estados do Piauí e Maranhão e na Mata Atlântica na Bahia. É uma palmeira elegante que pode atingir até 20 m de altura e as suas folhas arqueadas podem atingir até 8 m de comprimento. Tem uma aparência característica porque conserva entre os ramos, os restos das folhas velhas que já caíram. De Janeiro a Abril, dá umas flores creme-amareladas, que se aglomeram em longos cachos, sendo que cada palmeira pode apresentar até uma meia dúzia de cachos. Entre Agosto e Janeiro, brota uns frutos ovais, alongados como um pêndulo, de coloração castanha, cuja polpa é farinácea e oleosa, envolvendo de 3 a 4 sementes oleaginosas. Cresce espontaneamente e fornece, por ano, cerca de 2.000 frutos, mas não suporta longos períodos.

O colhedor de babaçu carrega os coquilhos num cesto ou caçuá. Despeja-os próximo do rancho onde mora. Aí, ou então à sombra das palmeiras, começa o trabalho. Com um macete de madeira dura ajeita o coquilho sobre uma pedra. Com o pau quebra uma noz dura. Retira as amêndoas e abandona a casca.

De cem quilos de coco quebrado obtém-se de oito a dez quilos de amêndoas.
Geralmente o trabalho é feito pelas mulheres, enquanto os maridos cuidam do arrozal. A quebra do coco ainda é feita por processo manual. No trabalho nem todas as amêndoas saem perfeitas. Uma vez machucada, não resiste a viagens longas. Acaba estragando. Por isso é uma plantação que só dá dinheiro quando o início da industrialização do babaçu se desenvolve perto dos babaçuais, onde se faz a coleta.
O babaçu cobre, sobretudo, os terrenos ondulados da baixada maranhense, sendo considerado uma das riquezas vegetais do Estado e apelidado de “mina vegetal de ouro”. O óleo retirado do babaçu é usado na alimentação, na fabricação de margarina, sabonetes, cosméticos e também em motores.

in Terra Brasileira

Aliás, a riqueza desta espécie de palmeira para a indústria extrativista, do ponto de vista económico, reside no facto de ser aproveitada por inteiro. O broto fornece palmito e fruto, e enquanto verde serve para defumar a borracha. Quando maduro, a sua parte externa é comestível. O caule é usado em construções rurais e as folhas na fabricação doméstica de cestos, sendo ainda utilizadas como cobertura de casas. Pode também servir para produzir celulose e papel. A exemplo de outros tipos de palmeiras, do pedúnculo cortado é extraído um líquido que, depois de fermentado, resulta numa bebida alcoólica consumida pelos índios da região.

Falando de riqueza, todos os dias, as catadeiras de coco deixam nas matas de 5 a 7 quilos de casca. Incluindo as cascas que as quebradeiras de coco jogam no mato, a biomassa de babaçu chega a 2,9 milhões de toneladas por ano, o suficiente para produzir 260 mW de energia em sistema de co-geração. Marcos Teixeira, defendeu recentemente na sua tese de doutoramento, pela Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp, que as 985 mil toneladas de cascas do coco babaçu obtidas anualmente com o aproveitamento industrial de castanhas, no Norte e no Nordeste do Brasil, poderiam gerar o equivalente a 104 mW por ano, o que corresponde a 5% da matriz energética nacional.

 

Sobre o Babaçu
in Biodieselbr

O babaçu é uma das mais importantes representantes das palmeiras brasileiras. Sobre este gênero de plantas, afirmou Alpheu Diniz Gonsalves, em 1955, que “é difícil opinar em que consiste a sua maior exuberância ia: se na beleza dos seus portes altivos ou se nas suas infinitas utilidades na vida da humanidade” E esta é a mais pura verdade!

O babaçu destaca-se entre as palmeiras encontradas em território brasileiro pela peculiaridade, graça e beleza da estrutura que lhe é característica: chegando a atingir entre 10 a 20 metros de altura, suas folhas mantêm-se em posição retilínea, pouco voltando-se em direção ao solo; orientando-se para o alto, o babaçu tem o céu como sentido, o que lhe dá uma aparência bastante altiva.

Atualmente, no Brasil, encontram-se vastos babaçuais espalhados ao sul da bacia amazônica, onde a floresta úmida cede lugar à vegetação típica dos cerrados. São os Estados do Maranhão, Piaui e Tocantins que concentram as maiores extensões de matas onde predominam os babaçus, formando, muitas vezes e espontaneamente, agrupamentos homogêneos, bastante densos e escuros, tal a proximidade entre os grandes coqueiros.

É muito provável que nessa mesma região, antes mesmo dos europeus aqui aportarem, já existissem babaçuais de relevante significado para as populações indígenas locais. Camara Cascudo nos conta que, já em 1612, o frei viajante Claude d’Abbeville informava sobre a importância dos “frutos da palmeira” na alimentação dos indígenas do nordeste do Brasil, “lá nas bandas de Pernambuco e Potiú” Tal palmeira era, provavelmente, o babaçu, batizada na língua tupi de uauaçu.

No entanto, estes antigos babaçuais estavam diluídos em meio a áreas de alta complexidade e variedade biológica, de forma muito diferente do que ocorre atualmente: vastos e homogêneos babaçuais crescendo sem parar.

Como afirmam os pesquisadores Anthony Anderson multiplica-se por sementes. Cada palmeira pode produzir até s de armazenamento. Prefere clima quente, em cultivo e Peter May, foram os desmatamentos periódicos com queimadas sucessivas os principais causadores do grande aumento dos babaçuais, especialmente na Região Nordeste do Brasil. Estas práticas, relacionadas a uma agricultura itinerante, são freqüentemente utilizadas com o objetivo de eliminar os próprios babaçuais tendo, porém, um efeito contrário. Explica-se: logo após uma grande queimada, são justamente as “pindovas” de babaçu – palmeirinhas novas – as primeiras a despontar. Isto porque, sabe-se hoje, o babaçu é extremamente resistente, imune aos predadores de sementes e tem uma grande capacidade e velocidade de regeneração. Com a queima do babaçual e da vegetação ao seu redor, seus principais competidores vegetais são eliminados, abrindo maior espaço para o seu desenvolvimento subseqüente .

O principal produto extraído do babaçu, e que possui valor mercantil e industrial, são as amêndoas contidas em seus frutos. As amêndoas – de 3 a 5 em cada fruto – são extraídas manualmente em um sistema caseiro tradicional e de subsistência. É praticamente o único sustento de grande parte da população interiorana sem terras das regiões onde ocorre o babaçu: apenas no Estado do Maranhão a extração de sua amêndoa envolve o trabalho de mais de 300 mil familias. Em especial, mulheres acompanhadas de suas crianças: as “quebradeiras”, como são chamadas.

Não obstante as inúmeras tentativas de se inventar e implementar a utilização de máquinas para a realização da tarefa, a quebra do fruto tem sido feita, desde sempre, da mesma e laboriosa maneira. Sendo a casca do fruto do babaçu de excepcional dureza, o procedimento tradicional utilizado é o seguinte: sobre o fio de um machado preso pelas pernas da “quebradeira”, fica equilibrado o coco do babaçu; depois de ser batido, com muita força e por inúmeras vezes, com um pedaço de pau, finalmente, o coco parte-se ao meio, deixando aparecer suas preciosas amêndoas.

De maneira geral, praticamente todas as palmeiras em especial o dendê, o buriti e o babaçu – concentram altos teores de matérias graxas, ou seja, gorduras de aplicação alimentícia ou industrial. Assim, o principal destinatário das amêndoas do babaçu são as indústrias locais de esmagamento, produtoras de óleo cru. Constituindo cerca de 65% do peso da amêndoa, esse óleo é subproduto para a fabricação de sabão, glicerina e óleo comestível, mais tarde transformado em margarina, e de uma torta utilizada na produção de ração animal e de óleo comestível.

Mas não é só isso! Apesar de demorar para atingir a maturidade e começar a frutificar, do babaçu tudo se aproveita, também como acontece com a maioria das palmeiras. Especialmente nas economias de subsistência e em regiões de pobreza.

Suas folhas servem de matéria-prima para a fabricação de utilitários – cestos de vários tamanhos e funções, abanos, peneiras, esteiras, cercas, janelas, portas, armadilhas, gaiolas, etc. – e como matéria-prima fundamental na armação e cobertura de casas e abrigos. Durante a seca, essas mesma folhas servem de alimento para a criação.

O estipe do babaçu, quando apodrecido, serve de adubo; se em boas condições, é usado em marcenaria rústica. Das palmeiras jóvens, quando derrubadas, extrai-se o palmito e coleta-se uma seiva que, fermentada, produz um vinho bastante apreciado regionalmente.

As amêndoas verdes – recém-extraídas, raladas e espremidas com um pouco de água em um pano fino fornecem um leite de propriedades nutritivas semelhantes às do leite humano, segundo pesquisas do Instituto de Recursos Naturais do Maranhão. Esse leite é muito usado na culinária local como tempero para carnes de caça e peixes, substituindo o leite de coco-da-baía, e como mistura para empapar o cuscuz de milho, de arroz e de farinha de mandioca ou, até mesmo, bebido ao natural, substituindo o leite de vaca.

A casca do coco, devidamente preparada, fornece um eficiente carvão, fonte exclusiva de combustível em várias regiões do nordeste do Brasil. A população, que sabe aproveitar das riquezas que possui, realiza freqüentemente o processo de produção do carvão de babaçu durante a noite: queimada lentamente em caieiras cobertas por folhas e terra, a casca do babaçu produz uma vasta fumaça aproveitada como repelente de insetos.

Outros produtos de aplicação industrial podem ser derivados da casca do coco do babaçu, tais como etanol, metanol, coque, carvão reativado, gases combustíveis, ácido acético e alcatrão.

Apesar de tantas e tão variadas utilidades, por sua ocorrência não controlada do ponto de vista econômico e agrícola, o babaçu continua a ser tratado como um recurso marginal, permanecendo apenas como parte integrante dos sistemas tradicionais e de subsistência.

 

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