Ditados e capicuas.

Hoje, um pouco por cada canto e recanto, não há quem não venha com o assunto do Euromilhões e não fale da dinheirama que vai ser sorteada. Foi aí que reparei que, de certa forma, hoje também há uma capicua no dia. De números vagamente diferentes, mas ainda assim uma capicua. E o “2” continua lá no meio. Talvez não de forma tão óbvia e gritante, mas o suficiente, para voltar a saltar à vista. É mais uma vez Fevereiro, só que desta vez não chove. Seja como for, por todo o dia penso nisso. Por todo o dia me lembro. Que hoje também pode haver um jackpot. E mais uma, volto a estar certa de que não haverá. Por maiores que sejam as expectativas e melhores que pareçam as probabilidades. Não vai acontecer. Não dar certo. Não há-de sair. Outra vez – mais uma vez – tenho a certeza absoluta que não vai servir de nada, que se jogar, que se apostar vai perder. Porque não tem como ganhar. O dia, a data, a capicua, o reflexo invertido do mesmo “2”, o espelho do “2” com o “0” de premeio e com o “8”, que é coisa mística, número símbolo de qualquer coisa mais perfeita e predestinada, unidade partida ao meio de duas metades redondas, iguais entre si, gémeas de tão simétricas… Tudo isso que salta à vista e aos sentidos, sem escapar à percepção apesar da aparente subtileza, tudo isso mais as pessoas a puxar assunto, as pessoas a falar da ‘Sorte Grande’, da super-chance, da oportunidade rara, feita de tantos insólitos e invulgares, de tantas circunstâncias únicas, de tantos coincidentes irrepetíveis, o prémio astronómico para assinalar o dia de aniversário do sorteio, milionário de arregalar o olho, generoso como nunca se viu… A fortuna, o prémio maior, o prémio mais alto, a ‘Sorte Grande’, o Euromilhões, as pessoas a falar no assunto, a toda a hora, em qualquer lugar, as pessoas, todas as pessoas… Tudo isso combinado e eu a passar o dia com esta minha velha teoria, certeza ou convicção – já nem sei que lhe chame – a voltar-me a cada momento, a vir-me à cabeça e ao pensamento, o tempo todo, o tempo inteiro… Não adianta jogar, não há como ganhar. E se insistir e se apostar, vai perder, pode escrever. Porque não tem jeito, não tem como. <Sorte ao jogo, azar ao amor>. Ou vice-versa, porque também serve: é igual. Vai dar no mesmo, que para o caso é o que importa. <Azar ao jogo, sorte ao amor>. Ponto final parágrafo. Já está dito que é assim e assim (e só assim) será. Como há para ser. Como para ser há que seja. Assim. Tal e qual assim. Outra vez. Igualzinho. Sem tirar nem pôr. Assim como já se sabe. Que foi. Que tornará a ser. Que sempre será.

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