A boiar sem pressa.

Portugal tem menos de dez semanas para enviar a Bruxelas as contas aos prejuízos causados pela enxurrada que aconteceu na madrugada da passada segunda-feira. Isto se quiser aproveitar os milhões disponíveis do Fundo Europeu de Solidariedade (EUSF) instituído pela Directiva 2012/2002 e que tem por objectivo ajudar as populações de zonas atingidas por catástrofes e calamidades. (…)
O Governo ainda não pediu a ajuda de especialistas nem contactou a Câmara Nacional de Peritos Reguladores (CNPR), entidade responsável pela avaliação de danos causados por catástrofes.

Fonte: Correio da Manhã


Como muito bem lembra Rui de Almeida, presidente do conselho directivo da CNPR:

  • «Portugal continua sem um mecanismo de compensação para as vítimas de catástrofes e calamidades, ao contrário do que acontece em Espanha»;
  • «Estamos a falar de dezenas de estabelecimentos comerciais e empresas que se encontram incapazes de trabalhar, centenas de carros danificados, dezenas de pessoas feridas e até de vítimas mortais»;
  • A ajuda prestada pelo Fundo Europeu de Solidariedade só é disponibilizada um ano após os acontecimentos que deram origem à calamidade.
As cheias da passada segunda-feira não foram uma histeria dos cidadãos, nem um exagero da oposição: morreu gente. Como se já não bastasse, os prejuízos provocados são enormes. Só em Loures, o único concelho que até agora fez as contas, situam-se entre os 21 e os 25 milhões de euros.
As reportagens das televisões são exemplares. Continuam a mostrar o desespero das pessoas que perderam tudo e, entre as lágrimas e a lama, esperam um sinal de que não estão sozinhas. Cinco dias depois, ainda ninguém do Governo se dignou a visitar os locais ou as vítimas da tragédia.
Tinha esperança que andassem afadigados nos gabinetes, correndo de um lado para o outro, entre peritos e especialistas, de mangas bem arregaçadas a tratar da burocracia das soluções. Pelos vistos enganei-me. O que quer que seja que os distraia neste momento ainda não deixou oportunidade para um telefonema, a dar ordem para fazer avançar a ‘tropa’ de emergência.
Sublinho, pois, a marcador fluorescente aquilo que já tinha dito aqui.

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