A tal história do ‘Vôo Verde’.

 

O primeiro vôo de um avião comercial parcialmente movido a biocombustível foi realizado neste domingo do aeroporto de Heathrow, em Londres, para Amsterdã em meio a controvérsias sobre o impacto ecológico da iniciativa.O Boeing 747, operado pela companhia Virgin Atlantic, utilizou uma mistura de óleo de côco babaçu, que diz não competir com fontes de alimento importantes. Um dos problemas em utilizar o biocombustível em aviões é de que ele congela facilmente em grandes altitudes. A tecnologia ainda está sendo desenvolvida pelas companhias GE e Boeing, mas a Virgin acredita que em 10 anos as linhas aéreas podem utilizar a energia de plantas normalmente.

Ambientalistas dizem que a iniciativa da Virgin Atlantic não é uma solução para diminuir o aquecimento global, porque plantações seriam utilizadas para gerar combustível, reduzindo a produção de comida.

“Nós achamos que o vôo de biocombustível da Virgin é mais uma distração das soluções reais para as mudanças climáticas”, afirmou Kenneth Richter, do grupo ambientalista Friends of the Earth à BBC. “Se você olhar as últimas pesquisas científicas sobre biocombustíveis, elas mostram claramente que biocombustíveis ajudam muito pouco na redução de emissões. E ao mesmo tempo nós estamos muito preocupados em relação ao impacto desta expansão em larga escala da produção de biocombustível para o meio-ambiente e os preços dos alimentos.”

Fonte: BBC e O Globo

Lendo um pouco mais adiante dos jornais – que ao que sigo apurando, praticamente se resume ao veículado por agências como a AFP, EFE e Reuters – descubro um pedacinho de frase no artigo da Veja, que pelos vistos foi suprimido em todas as outras e, para mim consiste justamente no que faz toda a diferença, no que me faz interessar tanto pelo vôo experimental da companhia do milionário inglês, Richard Branson: «O avião usou uma mistura de óleo de coco e babaçu e outras plantas da floresta amazônica». Avançando um pedacinho por essa trilha, não consigo deixar de sorrir com esta outra forma de noticiar o acontecimento: Noz amazônica levanta avião na Inglaterra. É por essa curiosidade assim espivitada que fico também a saber o seguinte:

 

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Sobre aviões movidos por combustível alternativo, vale lembrar que uma empresa brasileira vende desde 2004 o pequeno Ipanema a álcool, voltado para pulverização de lavouras.
O projeto de um avião movido a álcool teve início em 1980, época do Proálcool. Foi retomado em 2002 pela Neiva, uma empresa ligada à Embraer. O Ipanema é um monomotor cujo projeto já tem 30 anos. É líder do mercado nacional, com mil unidades vendidas.
À época do lançamento, em outubro de 2004, o Ipanema a álcool custava 735 mil reais. Quem tinha um Ipanema e desejava fazer a conversão pagaria, naquele ano, 70 mil.

in Versão Zero

 

Regresso à polémica dos biocombustíveis. Segundo leio aqui:

1) Na semana passada, o governo britânico encomendou um estudo sobre o impacto ambiental e económico do combustível biológico, já que cada vez há mais cientistas que afirmam que este pode prejudicar o entorno natural, a produção de alimentos e inclusive aumentar as emissões de carbono.

2) Um estudo recente na revista americana Science descobriu que, em alguns casos, como no do desmatamento na Indonésia para plantar óleo de palma, habilitar terreno para o cultivo das plantas usadas para fazer os biocombustíveis causava mais emissões que a economia posterior trazida pelo carburante.

A propósito da discussão ‘Alimento vs. Energia’, vale a pena ler este e este artigo. Há ainda o Blog do Manoel Neto, de Brasília, que é agrónomo e escreve especificamente sobre Biodiesel.

Cf.

* Fotos com a cortesia Versão Zero

Uma resposta

  1. […] anaportugal Se reparou bem, no post anterior mencionava-se que o biocombustível utilizado no tal ‘Vôo Verde’ da Virgin, foi usado óleo de babaçu. Pois é… Como não estou absolutamente certa de que os […]

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