Às vésperas dos 200 anos da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil.

Embarque da Família Real – gravura de Francisco Bartolozzi, a partir de óleo sobre tela de Nicolas Delariva.

Na madrugada de 27 de Novembro de 1807 , a corte, desesperada, atropelava-se com pressa e desordem no cais de Belém, no pavor de se pôr a salvo das tropas invasoras de Napoleão.


Chegada de D. João VI a Salvador (Cândido Portinari, 1952)

Desembarcaria 54 dias depois, sã e salva, no Estado da Bahia, a 22 de Janeiro de 1808.


Chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro em 7 de Março de 1808 – óleo de colecção particular

Mas só a 7 de Março, as caravelas aportavam, enfim, ao Rio de Janeiro, onde a família real tomaria assento nos próximos 13 anos, tornando-se Portugal o primeiro país a deslocar o Governo do Reino e a instalar a sede da Nação para uma colónia.

Cf.

A permanência dos reis portugueses, o rei D. João VI, D. Carlota Joaquina, durou 13 anos. A 7 de Setembro de 1822, foi declarada a independência do Brasil, com o célebre ‘Grito de Ipiranga’, às margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo), quando o Príncipe Regente D. Pedro, bradou perante a sua comitiva: “Independência ou Morte!“. Prefiro, porém, a versão de alguns outros historiadores, segundo a qual o início do processo de independência começou com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, no contexto da Guerra Peninsular, e com a ‘Inversão Metropolitana’ que o acontecimento provocou: o aparelho de Estado Português passou a operar a partir do Brasil, que desse modo deixou de ser uma colónia e assumiu efectivamente as funções de metrópole.

O Presidente da República vai estar no Brasil para as comemorações da data histórica. Leia algumas notícias a respeito aqui. Além das formalidades de protocolo há algumas informações culturais interessantes à consulta.

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Cavaco Silva participa nas comemorações da chegada da Corte ao Brasil

Lisboa, 25 Fev (Lusa) – O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, desloca-se ao Rio de Janeiro, entre 06 e 09 de Março, a convite do seu homólogo brasileiro, por ocasião das comemorações dos 200 anos da chegada da Corte portuguesa àquela cidade.
Cavaco Silva e Luís Inácio Lula da Silva inaugurarão a exposição «Um Novo Mundo, um Novo Império – A Corte portuguesa no Brasil», no Museu Histórico Nacional, e participarão numa sessão solene no Real Gabinete Português de Leitura.
Durante a visita, o Chefe de Estado português, para além do encontro que manterá com o seu homólogo, reúne-se com as autoridades do Estado e da cidade do Rio de Janeiro e participará em diversos actos culturais alusivos à efeméride.
As comemorações dos 200 anos da chegada da família real portuguesa acontecem em diversas cidades do Brasil, ao longo de todo o ano.
Embora saudada efectivamente pela população que habitava Salvador, o desembarque de Dom João VI na Baía foi um acontecimento acidental.
A meio da viagem para o Brasil, uma tempestade acabou por dividir a frota que conduzia a corte portuguesa. Metade das embarcações seguiu a rota prevista, chegando ao Rio de Janeiro. A outra parte, na qual se incluía o navio em que viajava o rei, desviou-se do percurso e acabou atracando na capital baiana, onde Dom João permaneceu até 7 de Março, quando seguiu para o Rio.
Além de abrir os portos e de implantar o ensino universitário, nos 13 anos em que governou o império português a partir do Brasil, Dom João VI, entre outras realizações, criou o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, a Biblioteca Real, a Real Academia de Belas Artes, o Jardim Botânico, Real Junta de Arsenais do Exército e a Real Academia Militar.

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Cavaco Silva e Lula visitam símbolo da imigração portuguesa

Rio de Janeiro, Brasil, 28 Fev (Lusa) – Os presidentes do Brasil, Lula da Silva, e de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, vão visitar o Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro, símbolo da imigração portuguesa, no dia 08 de Março.
O responsável pela instituição, António Gomes da Costa, disse hoje à Agência Lusa que os dois presidentes participarão de uma sessão solene e do descerramento de uma placa comemorativa aos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil.
Lula da Silva receberá igualmente o título “Laurel de Gratidão”, galardão máximo do Gabinete Português de Leitura, oferecido também a Cavaco Silva, em 1993, então como primeiro-ministro de Portugal.
“Há uma certa tradição que os presidentes dos dois países visitem o Gabinete Português de Leitura, símbolo maior da comunidade portuguesa no Brasil, sempre que possível”, disse Gomes da Costa.
O responsável avançou ainda que, durante a sessão solene, será assinado um protocolo de cooperação na área da investigação científica entre a Universidade de Coimbra e instituições brasileiras de ensino superior.
A visita de Cavaco Silva ao Gabinete Português de Leitura insere-se na deslocação do Presidente português ao Brasil, entre 06 e 09 de Março, por ocasião das comemorações dos 200 anos da chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro.
Durante a estada, o presidente português tem previsto um encontro com o seu homólogo brasileiro e participa em vários eventos comemorativos.
No domingo, dia 09, Cavaco Silva oferece uma recepção aos representantes das Comunidades Portuguesas e Luso-Brasileiras, no Consulado-geral de Portugal, no Rio de Janeiro.
Criado em Maio de 1837, por um grupo de comerciantes e intelectuais portugueses, o Real Gabinete Português tinha como objectivo proporcionar aos imigrantes pobres acesso à leitura.
Em 1880, inspirados pela comemoração dos 300 anos da morte de Camões, a colônia portuguesa do Rio de Janeiro financiou a construção de um prédio, no centro da cidade, para instalar o acervo.
Em estilo néo-manuelino, grande parte dos materias para construção do prédio, cenário de vários filmes, foi importada da Europa, nomeadamente as pedras de lioz da fachada e dos vitrais do salão.
Aberta ao público em 1900 e com uma freqüência diária de dezenas de leitores, foi no Real Gabinete que aconteceram as primeiras sessões solenes da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Desde 1936, o Real Gabinete recebe um exemplar de todos os livros editados em Portugal, como única instituição no estrangeiro com o estatuto de “depósito legal”.
Com mais de 350.000 livros, o acervo do Real Gabinete só é comparado ao da Biblioteca Nacional, também no Rio de Janeiro, oriunda da Biblioteca Real, legado de D. João VI ao filho e primeiro imperador do Brasil, D. Pedro I.
Uma raridade do acervo é a primeira edição de “Os Lusíadas”, do século XVI, que pertencia à Companhia de Jesus, da cidade de Setúbal, e que hoje é guardada no cofre da biblioteca, ao lado de obras de Eça de Queiroz.
Actualmente, a consulta aos livros está disponível aos sócios que podem levar para ler em casa até três livros, editados depois de 1950, pelo prazo máximo de 15 dias.
O Gabinete Português de Leitura publica a revista semestral “Convergência Lusíada” e promove debates e palestras, cursos, como forma de estímulo à investigação científica.

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Cavaco Silva inaugura exposição sobre 200 anos da chegada da família real ao país

Rio de Janeiro, Brasil, 28 Fev (Lusa) – O Presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, participa na inauguração de uma exposição, no dia 07 de Março, sobre os 200 anos da chegada da família real ao Brasil, informou hoje a organização do evento.
A directora do Museu Histórico Nacional (MHN), Vera Tostes, disse à Agência Lusa que a exposição “Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil” vai assinalar o início oficial das comemorações da efeméride em todo o país.
“Será uma felicidade grande porque a abertura da exposição acontecerá no dia e na mesma hora em que, há 200 anos, o vice-rei e a população davam as boas-vindas à chegada da esquadra com a família real ao Rio de Janeiro”, disse.
A visita de Cavaco Silva ao MHN insere-se na deslocação do presidente da República ao Brasil, entre 06 e 09 de Março, por ocasião das comemorações dos 200 anos da chegada da Corte portuguesa.
Durante a visita, o Presidente português reúne-se com o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e participa em vários eventos comemorativos.
No domingo, dia 09, Cavaco Silva oferece uma recepção aos representantes das Comunidades Portuguesas e Luso-Brasileiras, no Consulado-geral de Portugal no Rio de Janeiro.
Vera Tostes sublinhou que a exposição, com 320 peças, espalhadas por 1.200 metros quadrados, será a única realizada no Brasil sobre a chegada da família real em toda a sua abrangência.
A exposição será uma oportunidade para conhecer melhor o contexto histórico que cercou D. João VI, o primeiro monarca europeu a atravessar o oceano Atlântico.
Dividida em núcleos temáticos, a exposição apresentará objectos e documentos de importantes instituições brasileiras e portuguesas, muitos dos quais expostos pela primeira vez ao público.
Uma das curiosidades será a cadeira acústica utilizada por D. João VI, durante as suas audiências, actualmente de um coleccionador português, e que comprova a deficiência auditiva do soberano.
“Essa cadeira levará a alguma reflexão no sentido de rever a tese de que D. João permanecia alheio aos acontecimentos, mas o que é até compreensível para um deficiente auditivo”, salientou Tostes.
A parte inicial abordará as conquistas napoleónicas na Europa, em especial na Península Ibérica, seguidas de biografias dos personagens envolvidos no conflito, como o próprio Napoleão, Carlos IV, D. Maria I e Jorge III.
Através de um acervo iconográfico cedido por instituições portuguesas, serão mostrados aspectos da cidade de Lisboa por ocasião do embarque da família real, no fim de 1807.
O núcleo seguinte abordará o embarque em Lisboa e as dificuldades enfrentadas ao longo de 54 dias de travessia do Atlântico.
A chegada ao Estado da Baía, a 22 de Janeiro de 1808, estará representada pela tela do pintor Candido Portinari, “Chegada de D. João VI a Salvador”.
Numa outra parte, a exposição apresentará as modificações urbanas, com a introdução de novos estilos arquitectónicos, após a chegada da família real à cidade do Rio de Janeiro.
O penúltimo núcleo abordará os conflitos no Brasil e em Portugal a partir de 1817, até a exigência de regresso de D. João VI em 1820, o que acabou por acontecer em 1821, após 13 anos no Brasil.
Como consequência da vinda da corte portuguesa para a colónia portuguesa da América do Sul, a alusão à proclamação da independência do Brasil por D. Pedro I, em 1822, encerrará a exposição.
O MHN ocupa três edificações históricas, às margens da Baía de Guanabara, responsáveis pela defesa militar do Rio de Janeiro, construídas nos séculos XVII e XVIII.
Antes da abertura da exposição, no dia 06 de Março, o MHN promove um debate com a participação de historiadores sobre o significado da transferência da corte portuguesa para o Brasil.
Entre os participantes estarão Vera Tostes, Jorge Couto, director da Biblioteca Nacional de Portugal, e Arno Wehling, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian e com o apoio da TAP, a exposição “Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil” ficará patente ao público até 08 de Junho.

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Portugueses no Rio de Janeiro “honrados” com visita de Cavaco Silva

Lisboa, 29 Fev (Lusa) – A comunidade portuguesa no Rio de Janeiro está honrada com a visita que o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, lhes fará em Março, que consideram um agradecimento pelo apoio que lhe deram na campanha das presidenciais.
O chefe de Estado vai estar no Rio de Janeiro entre 06 e 09 de Março, a convite do seu homólogo brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, por ocasião das comemorações dos 200 anos da chegada da Corte portuguesa àquela cidade.
Entre os vários actos oficiais em que vai participar, Cavaco Silva oferece uma recepção à comunidade portuguesa residente naquela no Rio de Janeiro.
O Presidente português cumpre assim a promessa eleitoral de visitar, pelo menos, uma comunidade emigrante portuguesa por ano.
Contactado telefonicamente pela Agência Lusa a partir de Lisboa, o presidente do Arouca Barra Clube, Dário Quintais Formoso, disse que a visita do presidente da República é “uma honra” e tema de conversa entre a comunidade portuguesa no Rio de Janeiro, que tem “uma consideração muito grande por ele”.
“Cavaco é uma unanimidade, temos um carinho muito especial por ele, já desde o tempo em que foi primeiro-ministro. Noventa e nove por cento dos portugueses aqui apoiam-no”, garantiu.
Da visita de Cavaco Silva àquela cidade, fica a tristeza de não conseguir levar o chefe de Estado à sede do Arouca Barra Clube, que existe há 40 anos e conta com 10 mil sócios.
“Temos programado um almoço ou jantar com fado e bacalhau à luz de velas, como se faz em Alfama, mas parece que não é possível porque a agenda do presidente é curta”, lamentou Dário Quintais Formoso, que contou orgulhoso que já teve a presença de dois antigos presidentes no clube: o general Ramalho Eanes e Mário Soares.
Mesmo sem o jantar, Dário Quintais Formoso promete que vai entregar a Cavaco Silva uma medalha do clube.
Por seu lado, António Carvalho Toste, presidente da Casa dos Açores, está a pensar fazer uma homenagem ao Presidente da República, mas já deu uma certeza: vai haver rancho folclórico na recepção.
“O convite pede para levarmos elementos do rancho folclórico e nós vamos mandar alguns” afirmou o português.
António Carvalho Toste disse ainda à Lusa que vai promover uma reunião com outras associações portuguesas no Rio de Janeiro para decidirem se vão fazer uma homenagem a Cavaco Silva.
“Vamos reunir com outras associações para ver se vamos fazer uma homenagem ao Presidente da República e que tipo de homenagem será”, indicou.
O presidente da Casa dos Açores disse ainda que, pelo que tem avaliado, os portugueses no Rio de Janeiro “estão felizes” com a visita.
Em declarações à Lusa, o conselheiro das Comunidades Portuguesas naquela cidade, António Almeida Lima, disse que Cavaco Silva “está muito grato à comunidade portuguesa do Brasil, principalmente à do Rio de Janeiro, onde obteve um apoio muito expressivo durante as eleições”.
“Quando esteve em campanha veio cá. Agora deve vir para retribuir esse apoio”, afirmou.
António Almeida Lima disse ainda que a visita do Presidente da República “é sempre uma alegria muito grande e a expectativa enorme”.
De acordo com dados do consulado de Portugal no Rio de Janeiro, estão inscritos naquele posto cerca de 600 mil portugueses.
Na viagem ao Rio de Janeiro, o Presidente da República e o seu homólogo brasileiro nauguram a exposição “Um Novo Mundo, um Novo Império – A Corte portuguesa no Brasil”, no Museu Histórico Nacional, e participar numa sessão solene no Real Gabinete Português de Leitura.
O Chefe de Estado português tem ainda agendadas reuniões com Lula da Silva e com as autoridades do Estado e da cidade do Rio de Janeiro, e participa em diversos actos culturais alusivos à chegada da corte.

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Fonte: LUSA

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  1. ha historia

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