Activistas em confronto com baleeiro japonês.


The Institute of Cetacean Reserch / Reuters

Leio atónita e entristecida:

Activistas da organização Sea Sheperd e os baleeiros japoneses do “Nisshin Maru” entraram hoje em confrontos no oceano antárctico, motivando uma queixa diplomática de Tóquio a Camberra e uma repreensão do Governo australiano aos activistas.

Membros da Sea Sheperd a bordo do “Steve Irwin”, com 33 activistas, lançaram cerca de cem garrafas com substâncias de odor pestilento – contendo um pó branco não identificado e ácido butírico (ácido orgânico que se encontra na manteiga rançosa) – para dentro do navio-fábrica japonês “Nisshin Maru”, com 139 tripulantes, no âmbito da campanha da organização para perturbar a caça anual à baleia. Os tripulantes japoneses responderam com jactos de água.

O navio “Nisshin Maru” e o navio da Sea Sheperd aproximaram-se dez metros um do outro durante os confrontos que duraram cerca de uma hora. Três membros da tripulação japonesa ficaram feridos depois do “cocktail” químico ter atingido os olhos de três homens, disse a Agência japonesa das Pescas, em Tóquio.

O porta-voz do Governo japonês, Nobutaka Machimura, disse em conferência de imprensa que este “é um acto imperdoável”. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Stephen Smith, as autoridades japonesas apresentaram queixa na embaixada australiana em Tóquio. “Condeno em absoluto as acções dos membros da tripulação de qualquer navio que causem ferimentos ou que possam vir a causar, a qualquer pessoa no mar alto”, disse Smith.

O líder da Sea Sheperd, Paul Watson, descreveu o incidente como “luta química não violenta”, dizendo que as substâncias lançadas para o navio japonês são inofensivas e só pretendem dificultar a caça à baleia. “Só usámos materiais orgânicos e não tóxicos para atrapalhar e obstruir a caça ilegal à baleia”. Watson desmentiu que o incidente tenha causado ferimentos. “Filmámos e fotografámos tudo. Nenhum projéctil caiu perto dos tripulantes”.

Fonte: O Público

É verdade que os pescadores japoneses estão na Antártida, desde Dezembro, movidos por finos interesses científicos, com a missão de matar milhares de cetáceos. As suas actividades já foram suspensas em meados de Janeiro, durante vários dias, sob a pressão da Austrália e de vários defensores das baleias. Esta semana, inclusivamente, o País vai exigir à Comissão Baleeira Internacional a revisão da moratória que permite às frotas japonesas pescar baleias para fins científicos.

Mas, ainda assim e precisamente por isso, discordo em absoluto do entendimento activista demonstrado pela ONG Sea Shepard. Além do péssimo efeito que produz junto da opinião pública e da comunidade internacional, assenta no distorcido pressuposto de que os fins justificam os meios, coisa que jamais em tempo algum, uma consciência livre e responsável se deve dar à irresponsabilidade de aceitar como válido. Menos ainda quando se propõe falar em nome do Planeta e da vida que o habita. Não importa se foram os japoneses a disparar os canhões de água primeiro ou não. Foi um triste espectáculo, a ‘batalha naval’ que esta manhã presenciei nas reportagens de televisão.

A tripulação do Sea Shepard mantém um blog onde narra o dia-a-dia da acção em curso. Até ao momento colocou online dois vídeos do dia do confronto: este e este.

Cf.

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