Monges tibetanos tentam suicídio com tropas chinesas a cercar mosteiros

A tensão no Tibete aumentou hoje com dois monges a tentar o suicídio e as autoridades chinesas a fechar mosteiros após três dias de manifestações contra a administração chinesa na capital, Lhasa, divulgaram organizações internacionais pró-Tibete.

“Os dois monges que aparentemente tentaram o suicídio foram identificados (…) estão em estado crítico e têm pouca probabilidade de sobreviver”, disse a organização Campanha Internacional pelo Tibete, sedeada em Londres, que citava testemunhos divulgados pela Radio Free Asia (RFA).

De acordo com a RFA, rádio financiada pelo governo dos Estados Unidos, os dois monges correm risco de vida depois de terem cortado os pulsos numa aparente tentativa de suicídio.

Segundo a Campanha Internacional pelo Tibete, os monges que pertencem ao mosteiro de Drepung, um dos maiores do Tibete, situado perto de Lhasa, foram presos, mas as autoridades chinesas negam essa informação.

Organizações internacionais afirmam que a revolta que gerou os protestos dos últimos dias já alastrou a outros mosteiros da província vizinha de Qinghai.

Ainda segundo a Campanha Internacional pelo Tibete, os monges do mosteiro de Será, em Lhasa iniciaram uma greve de fome, enquanto três mosteiros (Sera, Qinghai e Ganden) encontram-se encerrados aos turistas.

Depois de três dias de protestos e das tentativas de suicídio, as autoridades chinesas cercaram os três maiores mosteiros de Lhasa, informou o grupo, como medida de precaução face ao medo de novos protestos contra do domínio chinês.

“Há uma atmosfera crescente de medo e tensão em Lhasa no momento”, referiu à imprensa estrangeira Kate Saunders, porta-voz da Campanha.

A resposta inicial das autoridades chinesas aos protestos foi mais discreta que no passado, mas a polícia já começou a interrogar os monges individualmente, acrescentou Saunders, em Londres.

Os grupos pró-Tibete e a Amnistia Internacional divulgaram na quinta-feira que a polícia chinesa usou gás lacrimogéneo e bastões eléctricos, e que prendeu mais de 50 monges, para travar as manifestações na capital.

Um porta-voz do governo da Região Autónoma do Tibete, que se identificou apenas como Fu, negou que a polícia tenha prendido manifestantes, que os mosteiros tenham sido encerrados e que tenham existido protestos em zonas rurais do Tibete.

Pequim assegurou na quinta-feira que a ordem tinha sido reposta e que a situação em Lhasa se encontra estável.

“Graças aos esforços do governo local e da administração democrática dos templos, a situação em Lhasa está calma”, afirmou aos jornalistas Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Qin atribui as manifestações dos últimos dias a grupos organizados pelo Dalai Lama, o líder espiritual tibetano exilado na Índia.

O grupo Campanha Internacional pelo Tibete, que propõe uma solução política do problema tibetano através do diálogo entre o Dalai Lama e a China, afirmou que as manifestações dos últimos dias foram as mais importantes em Lhasa desde 1989, quando as autoridades chinesas declararam a lei marcial para deter os protestos independentistas.

Na segunda-feira, o Dalai Lama voltou a insurgir-se contra o que considera serem “inimagináveis e enormes” violações dos direitos humanos cometidos pela China no Tibete.

Os militares chineses mataram dezenas de milhares de tibetanos na revolta de 1959, segundo a página de Internet do governo tibetano no exílio.

O aniversário desta revolta foi celebrado esta semana com uma campanha de protestos que aconteceu em vários pontos do mundo.

O Dalai Lama, que fugiu para o exílio depois da revolta, afirma que não defende a independência mas sim uma autonomia “significativa” para a região, que preserve a sociedade, a cultura, a língua e o ambiente no Tibete.

Fonte: LUSA

Cf.

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